Quer pedir demissão? Saiba como agir para deixar as portas abertas.
28/08/2013
Confira algumas dicas para te auxiliar no momento crucial com seu chefe.

Um emprego é como um relacionamento. Você cria vínculos, precisa ter trocas, confiança, ser flexível e cumprir certos acordos. Quando essa relação fica desgastada e há mais pontos negativos do que positivos, talvez seja hora de dizer adeus (ou seja, de pedir demissão). Este é um momento crítico e, dependendo de como é conduzido, poderá deixar ótimas impressões ou pode arranhar sua imagem profissional, prejudicando futuros trabalhos.

 

O diretor de marketing da consultoria de recursos humanos da Catho, Luís Testa, explica que, em primeiro lugar, o profissional deve refletir sobre as razões que o levam a querer deixar o trabalho, antes da conversa definitiva. "Precisa considerar a potencialidade de crescimento na área em que atua, a sua satisfação, a dedicação nas atividades, quais são os reais motivos de insatisfação e se é algo momentâneo ou pontual", diz ele. Além disso, é importante ter em mente que um salário ou benefícios mais atraentes não devem, sozinhos, servir como justificativa para a mudança de empresa. "Se não houver motivações profissionais, poderá também levar à frustração".

 

A contadora Jéssica de Souza, 32, trabalhou durante seis anos em uma multinacional, sendo que nos últimos quatro era coordenadora de um departamento. O excesso de trabalho a desmotivou e ela pediu demissão. "Os dois últimos anos, em particular, me desgastaram ao extremo. Eram jornadas de trabalho intermináveis para o cumprimento de prazos cada vez mais justos com a matriz estrangeira. Meus níveis de estresse foram ao limite e, por consequência, minha saúde foi seriamente fragilizada. Embora eu tivesse medo de sair e enfrentar um recomeço, precisava tomar esta decisão", conta.

 

 

Analisando os prós e contras:



Os prós e contras de sair do emprego devem ser avaliados com critério. Para a professora Elza Veloso, que dá aulas no MBA de Recursos Humanos e faz parte Programa de Gestão de Pessoas da FIA (Fundação Instituto de Administração), vários fatores devem ser calculados. "Primeiro, observe os sentimentos em relação ao trabalho atual e aos possíveis empregos futuros. O ponto de referência deve ser a pessoa e seu contexto familiar e social. Em seguida, é essencial que essa análise considere também o lado objetivo, que envolve os recursos financeiros, para que a pessoa faça a transição tranquila. É também muito importante que as oportunidades de trabalho sejam mapeadas".


Apesar de saber que seria melhor para sua saúde, pedir demissão não foi fácil para Jéssica, já que não tinha outro emprego em vista. "Refleti muito sobre a minha chegada à empresa, todo o aprendizado, coleguismo e oportunidades que me foram concedidas. O trabalho deixou de ter reconhecimento. Passou a ter somente cobranças e era notória uma insatisfação geral. O lado negativo da minha demissão é que me tornaria integrante na parcela dos desempregados e precisaria de um ótimo plano para seguir em frente. Por outro lado, poderia cuidar da minha saúde, ter tempo para mim e para as pessoas que amo", conta.

 

Depois de analisar todos os prós e contras, é hora comunicar ao chefe a decisão. Só depois dessa conversa é que o pedido de demissão deve ser oficializado ao departamento de Recursos Humanos. Para que essa reunião seja bem-sucedida, a coordenadora do Gestão Estratégica de Pessoas, Vanderli Frare, do instituto de ensino IBMEC, aconselha: "Procure ser transparente e honesto dentro do possível. Agradecer o tempo de permanência e as oportunidades que teve. Colocar-se à disposição da empresa durante uma ou das semanas para a passagem de tarefas, se for o caso. E se manter aberto para fazer do seu processo de saída o mais tranquilo possível".

 

Dependendo dos motivos que levaram ao desligamento, o processo pode ser delicado. Testa recomenda que o mais indicado é que o profissional agende uma reunião para conversar em particular com o superior e que não comente sobre o assunto com os colegas antes deste encontro, para evitar boatos.

 

"A conversa deve ser sincera, sem ultimatos, blefes ou ameaças. Deixar as 'portas abertas' é fundamental. O profissional deve marcar o ambiente organizacional com comprometimento e competência até o último dia de trabalho e, ainda, ser transparente sobre sua decisão de saída, sem deixar dúvidas sobre outros possíveis motivos. É isso que os ex-chefes irão lembrar, seja na hora de recontratar ou para indicá-lo a uma nova oportunidade". Os especialistas também recomendam nunca deixar o emprego de uma hora para outra, deixando trabalhos pendentes ou problemas a resolver.

 

Fonte: UOL